Eu considero-me uma pessoa resolvida espiritualmente, tenho minhas convicções, acredito em um Deus único. Tenho a consciência que chegará o dia de todos nós, sei que a única certeza de nossa vida é que um dia todos nós morreremos, e estou em paz com isso.

Mas por mais preparados que imaginemos estar para uma perda, jamais estaremos.


Lembro-me quando perdi pela primeira vez uma pessoa muito querida, uma pessoa que tem um lugar muito especial em meu coração, minha Avó Esther, a Dona Estherzinha!

Aconteceu em 1995.

Depois de muitos anos sofrendo com doença de Parkinson, aquela vovó vaidosa, contente e sorridente foi ficando fraquinha e dia a dia, definhando. Não conseguia andar, segurar uma colher para comer sozinha, não tinha sossego nem para dormir.

Até que um dia a luz dela se apagou de vez.

Eu tinha acabado de me formar, e estava morando em Primavera do Leste, no Mato Grosso. Recebi um telefonema de meu pai, que me disse: “A Vovó descansou.”

Com todo o ‘auto-controle’ e ‘sangue frio’ peculiares de uma pessoa centrada, que leu e estudou muito, um perfil capricorniano de pensamentos lógicos, desabei a chorar… (interessante… está acontecendo a mesma coisa neste exato momento…).

Todo o sofrimento que ela passou, as noites mal dormidas ajudando ela a virar de lado, a cobrir o ombro, a descobrir o ombro, ir ao banheiro, ajudar a comer… foi tudo embora!

E o que sobrou? Sua alegria, seu sorriso, seu amor!

Minha avó me amou muito, e eu amei muito ela. Sabe o que é mais forte em minha lembrança? Seu sorriso quando eu e meus irmãos chegávamos na casa dela nos finais de semana e ela falava: “Chegaram meus gafanhotos!”

Pois é, criança pensa em comer. E ela fazia bolo de chuva com banana, bolo de formiga, pipoca, descascava laranja para a gente chupar!
E criança gosta de brincar. E ela jogava buraco com a gente, jogava tômbola (bingo) com feijão para marcar os números!

Quando ela estava gripada, e chegávamos na casa dela no final de semana, a gripe desaparecia de uma hora para outra. Ela ria de si própria!

Ela ria muito, jamais vou esquecer do sorriso dela…
Com muito pouco, ela me deixou muito!

Espero um dia conseguir seguir o exemplo dela.
Obrigado Vó Esther!

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