Hoje vou compartilhar aqui o texto da Paula Parra, Gerente de Programa da Enactus Brasil.

Perfeito! Muito bem escrito, por uma Mulher que eu tenho muito orgulho de trabalhar junto!

Obrigado, a TODAS as mulheres!


Essa é para aquelas que foram guerreiras,
Aquelas que queimaram seus sutiãs,
Aquelas que foram queimadas na inquisição,
E as que sofreram a escravidão da pele, da mente e da alma.

Essa é para a mãe que se mantém em três empregos para dar vida digna aos filhos,
E para a filha que, apavorada, não sabe como lidar com sua primeira menstruação.

Essa é para a menina que aos dez anos é apresentada aos bons modos,
À saia e aos cruzar de pernas,
E aos incômodos tecidos que seguram seus peitos.

Essa é para as que dançam,
As que lutam,
E as que ficaram em silêncio.

Essa é para aquelas sensuais, místicas e estranhas,
Para as que amam seus homens,
E para as que amam suas mulheres.
Essa é para aquelas que deram à luz,
E para as que não querem ter filhos.

Essa é para aquela que foi de seu pai,
E depois do marido,
E depois dos filhos,
Mas nunca de si mesma.
E para aquelas que tem um sorriso malicioso ao dizer “eu não sou de ninguém”.

Essa é para aquela que tem medo de voltar sozinha à noite,
E para aquela que tem medo de vestir biquini.
Para as magras e gordas, belas e feias,
Para as que são o padrão de feminilidade e para as que não são.

Essa é para as que choram à noite,
Sentindo-se tão vazias e tão incompletas,
Pois não conseguem se ajustar.
Para as que tentam, todos os dias, serem perfeitas,
E para as que abraçaram sua excentricidade.

Essa é para as que pintam as unhas, colocam sua maquiagem e vão as ruas,
À noite e de dia,
Executivas e putas e donas de casa.

Essa também é para as Transgêneras,
Desajustadas, fortes e dignas.
Para as amantes, para as amadas e para as odiadas.
E também para as esquecidas.

Essa é para as Santas e Hereges,
Para Eva e seu legado,
E para as Marias que choraram na cruz.

Essa é para elas
Essa é por elas…
Essa… É por nós!
Mulheres.

Há dois anos escrevi esse texto para o dia de hoje, como uma singela lembrança ao dia internacional da Mulher. Mas vale lembrar que enquanto houver dia, haverá luta. E enquanto houver luta, será nosso dia!

“Destruir as categorias do sexo na política e na filosofia, destruir o gênero na linguagem (ao menos modificar seu uso) é parte da minha obra como escritora” – Wittig, 1988